RH 4.0, o que mudou na gestão de pessoas?


De uma abordagem contábil ao foco no indivíduo, a gestão de pessoas passou por uma transformação vital nas últimas décadas. Com o advento da 4ª Revolução Industrial, a internet das coisas, automação, inteligência artificial, Cyber sistemas, a otimização de processos produtivos, nunca foi tão importante focar em pessoas, no seu desenvolvimento enquanto ser humano e nas estratégias de gestão humana.


Para termos uma ideia prática de toda essa evolução:


Até 1930 - Visão Contábil - A gestão de pessoas tinha uma abordagem de custo da compra da mão de obra, na visão contábil.


De 1930 até 1950 - Visão Legal - A gestão de pessoas passa para a abordagem legal, ou seja, foco nas leis trabalhistas.


De 1950 até 1965 - Visão Tecnicista - A gestão de pessoas tem seu foco em recrutar, selecionar , cargos e salários e nas funções gerenciais no modelo industrial.


De 1965 até 1985 - Visão Administrativa - Da burocracia, para foco no indivíduo tático e nas relações sindicais.


De 1985 até os dias atuais - Visão Estratégica - Foco no planejamento estratégico na retenção de talentos e desenvolvimento do capital humano na aplicação das novas tecnologias para aumento de produtividade.


A primeira vez que o termo 4ª Revolução Industrial surgiu foi na na Feira de Hannover, em 2011, a partir de um projeto de estratégias do governo alemão voltadas à tecnologia.


Essa nova realidade trouxe tantas mudanças que o conhecido RH precisou fazer adequações urgentes, usar novas metodologias mais ágeis para mudar uma área que era antes vista como burocrática e se tornar um apoio estratégico que de fato retenha e valorize o capital humano e promova o atingimento dos resultados nas organizações.


Diferente das três revoluções anteriores, esta não é caracterizada apenas pelo desenvolvimento de novas tecnologias. É muito mais do que isso, chega a ser assustador, vivemos a fusão das tecnologias entre si, muito tênue as linhas que separam os mundos físico, digital e biológico.


Com tanta automação, ferramentas tecnológicas o fator humano precisará se adaptar e desenvolver para se encaixar nesse novo modelo. É imprescindível acompanhar as novas necessidades e capacitar as pessoas para atenderem aos novos processos. Os maiores desafios do RH 4.0 serão: reter e engajar colaboradores, gerir talentos, gerir conflitos, aumentar a produtividade, tendo em vista que os funcionários exigirão mais reconhecimento e valorização.

Com a eliminação quase que total da burocracia e das atividades manuais, colaboradores poderão utilizar seus talentos, tempo e criatividade para apoiar a empresa em outras necessidades. É hora da liderança incentivar e dar liberdade para novas ideias e processos criativos, além de delegar novos desafios, desenvolvendo assim laços de confiança e motivação, o que favorecerá o desenvolvimento de novas competências. E, por falar em competências aqui vai uma lista das competências que deverão serem desenvolvidas para se adaptar ao novo modelo de gestão 4.0:


- Flexibilidade;

- Formação multidisciplinar;

- Relacionamento interpessoal;

- Percepção e sentimento de urgência;

- Visão técnica e sistêmica de processos;

- Capacidade de coletar e lidar com análise de grande volume de dados;

- Liderança positiva;

- Transparência;

- Responsabilidade social e compromisso com a preservação do planeta meio ambiente;

- Informalidade e zero burocracia;

- Princípios éticos e morais elevados;

- Comprometimento com a inovação;

- Ênfase no autodesenvolvimento sistêmico e permanente de todos os seus colaboradores;

- Trabalho em equipe;

- Crescimento autossustentado etc.


Tudo isso para se adaptar a um novo formato de gerir pessoas. E, quais são as tendências do RH 4.0?


- Menor tempo no trabalho - Jornadas menores de trabalho e home office, o uso de tecnologias permite fazer mais em menos tempo, reduzindo a necessidade de ficar longos períodos no escritório.


- Colaboradores contratados com o perfil exato para sua função - Cada vez mais ferramentas de análise de perfis são utilizadas para aumentar as chances de adequação às vagas o que diminui absurdamente as taxas de turnover e aumentam aderência e satisfação com os cargos ocupados. Levando em consideração que se contratava 100% por perfil técnico e que 87% das demissões são por perfil comportamental. O foco está no como se põe o trabalho em prática, está no como se faz. Para isso os holofotes estão nas soft skills, habilidades comportamentais, competências subjetivas difíceis de avaliar, já estava na hora de se analisar profundamente uma contratação com base em testes comportamentais.


- Liderança 4.0 - Cada líder é um gestor de pessoas, com foco no desenvolvimento de sua equipe, harmonização do ambiente de trabalho e desenvolvimento de novas competências. O Líder 4.0 tem o papel de unir a equipe e utilizar todos os recursos humanos e tecnológicos para alcançar os objetivos organizacionais de forma parceira e colaborativa.


- Gestão na nuvem - O foco é acabar com a papelada e desenvolver a capacidade de fazer tudo na nuvem. Para colaboradores mais jovens uma facilidade, para os mais antigos um super desafio. Sobretudo fazer coexistir a gestão independente da idade.


- Uso da inteligência artificial - automação de processos a possibilidade de fazer mais

com menos tempo.


- Maior investimento e necessidade de especialização dos colaboradores tanto para lidar com as novas tecnologias quanto para propor soluções criativas e diferenciadas para o crescimento de sua empresa;


- Foco em contratar, reter e treinar colaboradores que amem tecnologia e sejam inovadores que gostem e defendam as mudanças organizacionais.


Muitos perguntam se toda essa tecnologia e transformações não irão aumentar o número de desempregos, eu afirmo categoricamente que o fator desemprego não se dá às mudanças tecnológicas, já passamos por 3 revoluções, essa é a quarta e o ser humano precisou se adaptar em todas elas, o ponto está na ADAPTAÇÃO ÀS MUDANÇAS. Afinal mais forte é quem se adapta!


Toda mudança demanda desenvolvimento para ser acompanhada. Fica muito claro que se quisermos nos adaptar precisamos nos desenvolver. 


Sou especialista em gestão estratégica de pessoas e vejo muita dificuldade tanto no empresário/gestor, quanto nos colaboradores em buscar desenvolvimento para se adaptar às mudanças. Infelizmente ainda ouço de muitos que sempre foi assim, para quê mudar? Que a empresa veio bem até hoje do jeito que está, não vou mudar nada. Eu apenas aceno que é uma escolha com grande risco de prejuízo.


É importante que todos (empresários, gestores, colaboradores) entendam que o risco de falência e desemprego vem não das mudanças provocadas pelas revoluções que passamos e sim pela falta de preparo e investimento em desenvolvimento, adequação de mais uma vez, ADAPTAÇÃO.


Adotamos o modelo de Hunting Estratégico para recrutar e selecionar por mapeamento junto aos nossos clientes, a maioria das pessoas que são dispensadas em nossos processos seletivos o são porque não investiram em seu desenvolvimento como ser humano e profissional. As empresas procuram pessoas que desejem um propósito profissional, que queiram inovar, criar e desenvolverem suas vidas profissionais como um projeto conjunto com a empresa e não aquelas que apenas buscam simplesmente um emprego.


Passamos da era industrial, mecanização, maquina à vapor e carvão do século XVIII , pela produção em massa e linha de montagem do século XIX, pela computação e automação do século XX à atualmente a era da colaboração, internet das coisas, nuvem Cyber sistemas nano tecnologia, em todas essas mudanças precisamos nos desenvolver e nos adaptar para crescer com elas. Nunca foi tão importante ao ser humano, ser humano. E o sentido de ser humano é utilizar toda a sua capacidade de colaboração, empatia, criatividade, compartilhamento de conhecimento e generosidade tão peculiares à sua natureza e não às das máquinas.


O RH 4.0 é um agente transformador dentro das organizações, uma ponte entre o modelo de gestão atual e o modelo 4.0, desenvolvedor de talentos, promotor de produtividade e coletividade . É também um agente de satisfação funcional já que incentivará a flexibilidade em projetos e horários. A automação trará mais tempo para esse colaborador investir em novas soluções, também exigirá maior preparo para assumir e se encaixar nas novas oportunidades. Veio para unir mundos, gerar benefícios para empresas e colaboradores, otimizar tempo e desenvolver pessoas mais qualificadas técnica e comportamentalmente.

E você está se preparado?


Flavia RHamos

Mentora de RH e Carreira

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Assim como muitas pessoas que conheço e também algumas que atualmente me procuram profissionalmente, eu precisei me reinventar. Alguns anos atrás eu me deparei com o choque da insatisfação profissiona